21 março 2007

metodos de investigação

leiam e pensem.... e depois comentem. este foi um poema que nos foi revelado numa aula de métodos de investigação por diniz cayolla.
vale a pena.
digam o que interpretam

depois revelarei...
poesia para a alma

Machado de Assis

A mosca azul


Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Indostão.
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada.
Em certa noite de verão.


E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua — melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol.


Um poleá que a viu, espantado e tristonho,
Um poleá lhe perguntou:
— "Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,
Dize, quem foi que te ensinou?"


Então ela, voando e revoando, disse:
— "Eu sou a vida, eu sou a flor
Das graças, o padrão da eterna meninice,
E mais a glória, e mais o amor".


E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo
E tranqüilo, como um faquir,
Como alguém que ficou deslembrado de tudo,
Sem comparar, nem refletir.


Entre as asas do inseto a voltear no espaço,
Uma coisa me pareceu
Que surdia, com todo o resplendor de um paço,
Eu vi um rosto que era o seu.


Era ele, era um rei, o rei de Cachemira,
Que tinha sobre o colo nu
Um imenso colar de opala, e uma safira
Tirada ao corpo de Vixnu.


Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas,
Aos pés dele, no liso chão,
Espreguiçam sorrindo as suas graças finas,
E todo o amor que têm lhe dão.


Mudos, graves, de pé, cem etíopes feios,
Com grandes leques de avestruz,
Refrescam-lhes de manso os aromados seios.
Voluptuosamente nus.


Vinha a glória depois; — quatorze reis vencidos,
E enfim as páreas triunfais
De trezentas nações, e os parabéns unidos
Das coroas ocidentais.


Mas o melhor de tudo é que no rosto aberto
Das mulheres e dos varões,
Como em água que deixa o fundo descoberto,
Via limpos os corações.


Então ele, estendendo a mão calosa e tosca.
Afeita a só carpintejar,
Com um gesto pegou na fulgurante mosca,
Curioso de a examinar.


Quis vê-la, quis saber a causa do mistério.
E, fechando-a na mão, sorriu
De contente, ao pensar que ali tinha um império,
E para casa se partiu.


Alvoroçado chega, examina, e parece
Que se houve nessa ocupação
Miudamente, como um homem que quisesse
Dissecar a sua ilusão.


Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela
Visão fantástica e sutil.


Hoje quando ele aí cai, de áloe e cardamomo
Na cabeça, com ar taful
Dizem que ensandeceu e que não sabe como
Perdeu a sua mosca azul.


13 março 2007

dESing VI

criação de uma nova proposta para o produto em causa.

optei por criar um novo visual para a embalagem, que constitui uma edição especial para o aniversário do produto. SICAL "a origem do café", é o slogan da marca, apartir dele decidi ir mesmo ás origens do café, trazê-lo em saco de sarapilheira e trabalhar o folheto das características do produto com uma estética baseada em cartas de alforria, documentos antigos, cartas seladas.




































































11 março 2007

dESing VI

"i shop therefore i am"
a psicologia da cor. a cor como parte integrante da própria identidade do produto. simbolismo estética, plasticidade da cor (ora nem mais).

escolha de uma embalagem e alterar seu cromatismo sem que o produto perca identidade e força.
os 4 estudos:













































































o escolhido:


24 fevereiro 2007

dESing V


exercício 5
imagem+tipografia































20 fevereiro 2007

Foto

dESing V

exercício 4
representação pictográfica












filme the outsiders

















filme la haine
















filme l.i.e.

dESing V

exercício 3
representação pictográfica










filme the outsiders














filme la haine





















filme l.i.e.

















19 fevereiro 2007

dESing V


exercício 2
representação caligráfica


















































partir da escolha de 3 filmes de uma lista teríamos de executar 5 diferentes exercícios nos quais a forma em que tratássemos (formal e conceptualmente) o texto e/ou imagem para que passassem a narrativa do filme.


exercício 1
representação tipográfica a ARIAL ou/e TIMES










filme the outsiders

















filme la haine


















filme l.i.e.











mEDia III















objectivo:
escolher "a música da nossa vida".
ilustra-la com uma foto analógica.

música: yann tiersen _ j'y suis jamais alle


11 fevereiro 2007

dESing IV

the begining...
















Contextualização de uma determinada sonoridade num universo visual correspondente.

Sublimação do som em imagem, transposição do sentido auditivo para o sentido visual.

primeiro passo. escolher um som. de qualquer tipo, com qualquer tipo de duração.
criar o contentor para esse som, ou seja um sítio onde esse som pudesse 'viver', que por fora disséssemos que aquela era a sua 'casa'.

a máscara...

























o meu conceito:

escolha do som foi bastante difícil. o mais difícil em todo o trabalho. primeiro estava com a ideia de conseguir uma curta metragem 'portrait of me' da Magali Charrier, mas foi-me impossível. por isso virei-me depois para a poesia.

este trabalho obviamente

estava a ganhar contornos bastante pessoais, e não impedi que assim fosse.
comecei a declamar para o meu pequeno gravador. escolhi o poema apontamento de Fernando Pessoa. o poema já tinha uma interpretação musical pela voz da Margarida Pinto. comecei a pegar nessa música, mas não resultava. já tinha na minha cabeça as imagens a passar-me como flashes. as máscaras, os espelhos, o fragmento do eu, os gritos abafados, o querer sair...

optei por fabricar o meu som. juntei a minha voz, aos sons da realidade e a músicas. tentei dar-lhe um aspecto de constância/inconstância interrompida, absorvi o barulho do gravador como parte integrante do meu som. ele emergiu, assim, deste corta e cola, desta procura, desta junção de todos os cacos do eu.


processing...



























apresentação:

o contentor. desde o início quis usar a prateleira esquecida de casa de banho ou da despensa. aproveitei-me do seu significado de guardar coisas, suportar coisas, para me suportar a mim.
eu, a minha dor e incompreensão pendiam todas para aquela máscara de liga também ferida e exausta... ela é a parte essencial do meu exercício.
após já um longo processo a remexer em tudo aquilo, fazendo fotos, poses e cenários, acumulando e procurando objectos fortes em simbolismo, o deslocar-me todos os dias até aquele local e ouvir a Minha melodia, e daí descortinar as imagens de tudo aquilo...o racionalizar…

posso agora referir a escolha do branco. para mim o branco simboliza algo estéril, seco, sem vida... poderá parecer um tal paradoxo, visto que o exercício forma-se por de entre as entranhas da emoção,..mas o que sinto é que o branco está ali como forma racionalizada. isto porque as emoções estão dentro de nós, cá dentro, apesar de subjectivas que são, têm cores formas texturas, sentidos... e o acto de retirar tudo para fora, para o frio exterior, foi uma acto de as racionalizar de as pensar como imagem, para que agora possamos andar em volta delas (do carrinho) pensar ainda mais sobre elas e assim continuar a dar-lhes sucessivas camadas de branco.

vou agora centrar-me nos objectos mais importantes.
os espelhos. o eu. partidos e riscados como caco, fragmento, como o eu em falta, deformado, incompreendido por si, confuso em si.

as linhas. atravessam todo o contentor, propondo a confusão, o emaranhar de todas as emoções e memorias. são também elos entre tudo, mas interpondo-se constantemente entre cada ligação estabelecida.

na primeira prateleira está a máscara, o meu cabelo cortado, o relógio, a folha de árvore caída.
temos visivelmente um remeter para o eu, dor, recusa/aceitação (no cabelo e também na máscara), e o factor tempo, espera, nostalgia (do relógio e da folha), asa do pássaro.

a lâmpada: o elemento em fuga, que consegue libertar-se da asfixia implantada pelo papel celofane. simboliza, de alguma forma a catarse, o conseguir deitar para fora a emoção, logo é a metáfora perfeita para a arte.

o pássaro: virado ao contrário com uma asa partida. faz bastante sentido em tudo isto, é das imagens que mais gosto. explicações não fazem sentido aqui.

o chão: cartolina transparente de propopileno, na qual decorreu todo o processo dos objectos. Simboliza portanto o processo de todo o trabalho. É um vestígio de tudo.

O meu booklet: vejo o meu booklet como sendo todos os objectos que o carrinho comporta. Cada um tem algo a dizer sobre todo o trabalho. E cada um acrescenta sempre algo mais ao seu todo.

Optei também por fazer uma série de cinco vídeos para ilustrar o trabalho. Pode dizer-se que também são o booklet. Estão dentro dele como uma bónus track.

Os vídeos: existem cinco fazes bem explicitas nos vídeos.

I – o olhar para o espelho. Tocar a máscara no espelho. Tento perceber o que me está a acontecer e o que aquela máscara significa ali na minha cara. Escondendo-me, impedindo-me a fala, os movimentos, negando-me a mim…

II – acordo daquele transe. Não a quero ali. Quero tirá-la rasgá-la. Nem que para isso tenha que arrancar a minha pele. Luto freneticamente com a sua existência em mim.

III – paro. Exausta. Olho a tesoura mergulhada na bacia. Parece-me uma solução para tudo aquilo. Lentamente caminho para ela. Ela será instrumento da libertação da raiva. É como o querer magoar-me para que tudo passe.

IV – nua. Nua branca e estéril. Faço do corpo tela. Envolvo-me no branco da tinta e cravo no corpo a dor, a repugna daquela máscara. É o clímax da acção; a catarse. Encontrei de alguma maneira uma forma para me libertar. A arte como fuga.

V – aceito. Aceito. E por já ter passado por tudo isto aconchego-me no papel celofane que outrora me asfixiou, abraço a máscara que me atormentou, e respiro no útero da infância que ansiei alcançar, onde repouso na nostalgia de um outro qualquer lugar.

aspecto final...